Camerata Aberta toca sob a batuta de Celso Antunes no Sesc Santana

Grupo também recebe a soprano paulista Natália Áurea e interpreta obras de Eduardo Guimarães Álvares, Paulo Rios Filho, Chris Harman, Wolfgang Rihm e Usuk; público terá ainda a oportunidade de assistir a projeção do curta-metragem ‘Um Cão Andaluz’ (1929), de Luiz Buñuel

A Camerata Aberta – principal grupo de música erudita contemporânea em atividade no país – se apresenta no dia 13 de agosto (quarta-feira), às 21h, no Sesc Santana, sob a regência do maestro convidado Celso Antunes. Com direção artística de Sergio Kafejian, o grupo formado por alguns dos melhores músicos atuantes da cena erudita brasileira e que são professores da EMESP Tom Jobim, interpreta obras dos brasileiros Eduardo Guimarães Álvares e Paulo Rios Filho, do canadense Chris Harman, do alemão Wolfgang Rihm e da compositora sul-coreana Usuk Chin, no concerto intitulado Remix, que faz referência às obras presentes no programa e que foram editadas, mais tarde, pelos próprios autores. Os ingressos custam até R$ 24 (inteira).

A Camerata Aberta abre o concerto com Música Peba No 2, do compositor Paulo Rios Filho. Segundo o autor, a obra “é uma consequência da impressão de que aquela considerada ‘boa música brasileira’ é, na verdade, uma impossibilidade”. Paulo Rios explica que Música Peba No 2 faz uso das canções Partiels, do francês Gerard Grisey, e de Águas de Março, de Tom Jobim, impondo vários níveis de abordagem irônica sobre essas músicas de referência, às vezes tomando-as como meras fontes de clichê, às vezes as deformando/camuflando/escondendo, em busca de uma expressão menos referencialista.

Depois, o grupo interpreta SnagS&Snarls, da compositora sul-coreana Usuk Chin, que terá a participação da soprano paulista Natália Áurea. A obra foi baseada nos textos dos livros ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘Alice Através do Espelho’, de Lewis Carroll, e é considerada um estudo preliminar à ópera Alice no País das Maravilhas, estreada em 2007. Por meio dos jogos de palavras na obra de Carroll, a compositora busca compreender as questões filosóficas e morais do homem e questões de espaço, tempo e sua relação com a mecânica quântica. A obra exige virtuosidade, apresenta uma construção lógica e, por vezes, humorística, e traz também jogos de palavras e números.

E na sequência vem Amerika, do canadense Chris Harman, que foi criada para concerto da série de eventos New Music Concerts, cujo título era “All Canadian, eh?” (Todos Canadenses, certo?). O compositor partiu do título para criar uma obra irônica, movido a usar material distintamente não-canadense. A peça foi inspirada na canção “I want to live in America” (Quero viver na América), da obra West Side Story, de Leonard Bernsteine, e foi vencedora do prêmio Jules Leger.

Na volta do intervalo, a Camerata Aberta homenageia o compositor mineiro Eduardo Guimarães Álvares, professor da EMESP Tom Jobim falecido ano passado, com a execução de sua obra Cinco bagatelas. Síntese aforística com momentos de grande teatralidade nonense, extraída de um projeto de ópera inconcluso sobre o Rei Ubu, de Jarry. As Bagatelas lembram alguns trabalhos anteriores, como o ciclo Pétala Petulância. Embora muito mais concisas, essas miniaturas trabalham com a riqueza de timbres e contrastes, além do uso de ritmos irregulares que criam um interesse permanente.

Para fechar em grande estilo, haverá a projeção do curta-metragem Um Cão Andaluz’ (1929), com direção de Luis Buñuel e roteiro co-escrito por Salvador Dalí. O grupo executa ainda a peça Bild (Eine Chiffre), do alemão Wolfgang Rihm. Apesar de fazer parte da série Chiffre, Bild funciona como uma peça autônoma. O compositor sugere forte conexão entre música e imagem, sem que cada forma de arte perca sua independência. Para o compositor, “uma sincronia perfeita com o filme seria impossível” e a obra deve ser considerada como uma ‘pintura sobre a tela do filme’, ou uma estrutura sonora paralela, e não uma trilha do curta. É nos gestos musicais que Rihm procura retratar o surrealismo de Buñuel e Dali.

A Camerata Aberta é um grupo ligado à EMESP Tom Jobim – instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, sob gestão da Santa Marcelina Cultura – especializado na interpretação, divulgação e ensino da música dos séculos XX e XXI. Em setembro, o grupo encerra a temporada de concertos com uma apresentação no dia 16, no Sesc Consolação, quando recebe o maestro espanhol Ernest Martínez Izquierdo, regente honorário da Orquestra Sinfônica de Navarra Pamplona, e com obras dos finlandeses Kaija Saariaho e Magnus Lindberg e do argentino Martin Matalon.

Celso Antunes, regência
Natália Áurea, soprano

Camerata Aberta

CÁSSIA CARRASCOZA flauta/piccolo
LUIS AFONSO MONTANHA clarinete/clarone
RICARDO BARBOSA oboé
NIKOLAI GENOV trompa
ADENILSON TELLES trompete
LIDIA BAZARIAN piano
HERI BRANDINO percussão
SIMONA CAVUOTO violino
PETER PAS viola
DIMOS GOUDAROULIS violoncelo
PEDRO GADELHA contrabaixo
CARLOS FREITAS trombone

Músicos convidados
CAMILO CARRARA bandolim
DANIEL MURRAY violão
ERICK ARIGA fagote
FLÁVIO GERALDINI violino
LUIZ SERRALHEIRO tuba
MARCEL BALCIUNAS percussão
MILTON VITO saxofone

Programa:

EDUARDO GUIMARÃES ÁLVARES
Cinco Bagatelas

PAULO RIOS FILHO
Música Peba Nº 2

WOLFGANG RIHM
Bild (Eine Chiffre)

UNSUK CHIN
SnagS&Snarls

CHRIS HARMAN
Amerika

Serviço:

Camerata Aberta sob a regência de Celso Antunes e com Natália Áurea (soprano)
Data: 13 de agosto, quarta-feira
Horário: 21h
Local: Sesc Santana – Teatro
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana.
Ingressos: R$ 24 (inteira), R$ 12 (meia e usuário inscrito no Sesc) e R$ 4,80 (comerciário inscrito no Sesc) – à venda nas bilheterias das unidades Sesc
Mais informações: (11) 2971-8700
Duração: Aproximadamente 60 minutos
Capacidade: 337 lugares
Classificação indicativa: 12 anos

Celso Antunes – regente convidado

Regente assistente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) desde 2012, Antunes também é regente titular da Camerata Fukuda e professor de regência coral na École de Musique de Genève. Estudou regência na Academia de Música de Köln (Alemanha) e foi regente titular da Orquestra de Câmara Neues Rheinisches, em Colônia, e do ensemble de música contemporânea Champ d’Action. Como diretor artístico e regente titular do Coro de Câmara Nacional da Irlanda, foi elogiado pelo jornal local como o responsável pelo “período de ouro” da música coral irlandesa. Antunes também foi regente titular do Coral da Rádio dos Países Baixos “Groot Omroepkoor”.

Natália Áurea – soprano

A soprano paulista estudou piano, violoncelo, canto, fonoaudiologia e atualmente pedagogia. É integrante do Coro da Osesp há 8 anos, tendo gravado três CDs junto ao coro e orquestra. Desenvolve intenso trabalho como solista, regente e preparadora vocal de coros. É professora de canto popular na Universidade Cantareira. Ministra workshops e master classes de técnica vocal em diversas partes do país. Atualmente tem duo de música de câmara com o pianista Fernando Tomimura. Em 2014 será solista em Glória de Vivaldi com a Camerata Antiqua de Curitiba, se apresentará sob regência do maestro e cravista Marcelo Fagerlande na reabertura da Sala Cecilia Meireles (RJ), cantará a Nona Sinfonia de Beethoven junto à Osusp. Atualmente, a cantora é orientada pelo maestro Marconi Araújo, pelo correpetidor Ricardo Ballestero e pela soprano Rosana Lamosa.

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